domingo, 29 de novembro de 2009

Oficinas para moradores dos bairros Ellery e Monte Castelo

Realizamos, entre os dias sete e dezenove de novembro, cinco oficinas para os integrantes das comunidades dos bairros Ellery, Monte Castelo e regiões vizinhas. As oficinas, promovidas pela equipe do site www.bairroellery.com.br, em parceria com o Programa de Assessoria Técnica e Sócio-Cultural às Rádios Comunitárias do Ceará (PARC - UFC) e com a Associação Comunitária dos Bairros Ellery e Monte Castelo (ACEM), fizeram parte de um curso para formação de uma rede de comunicadores populares.

As oficinas, com temáticas escolhidas de acordo com a necessidade dos moradores, foram de Leitura Crítica da Mídia, Texto para a Internet, Produção de Textos a partir da Realidade Local, Podcast e Fotografia. Todas as oficinas foram planejadas e ministradas por Mariana Lazari, Narjara Rocha, Bruno Falcão e Vinícius Mota, alunos da disciplina da Jornalismo no 3º Setor, do curso de Comunicação Social. Com exceção da oficina de Leitura Crítica da Mídia, todas as oficinas foram realizadas à noite (de 18h30 às 20h30) no colégio Martinz de Aguiar, da Prefeitura Municipal de Fortaleza, localizada no bairro Monte Castelo.

1ª oficina: Leitura Crítica da Mídia / dia 07 de novembro / 08h – 12h

A oficina foi realizada na Associação Comunitária dos Bairros Ellery e Monte Castelo (ACEM) e começou com a apresentação da proposta do curso e com a dinâmica das frases complementares. Algumas frases foram sorteadas entre os participantes, que tinham que encontrar o seu complemento e conversar. Cada um teria que apresentar o companheiro. A dinâmica se revelou bastante proveitosa, pois, apesar de os participantes, em sua maioria, já se conhecerem, promoveu um rápido entrosamento, quebrando o gelo que poderia ainda existir.

Devido a um considerável atraso dos participantes, tivemos que agregar a teoria e a prática a um só bloco na oficina. Para promover o debate e o esclarecimento entre a mídia, apresentamos o artigo “Dez impasses para uma efetiva crítica da mídia”, do professor MsC. Rogério Christofoletti. Os participantes foram divididos em duplas e trios com o objetivo de fazer uma leitura coletiva e, posteriormente, apresentar os impasses relatados pelo autor. A discussão do grupo foi muito proveitosa e enriquecedora, pois os participantes puderam expor seu ponto de vista, sempre dialogando com a teoria do artigo. Os participantes gostaram muito do artigo e pediram, inclusive, que nós o enviássemos para eles. Terminamos a manhã exibindo um comercial premiado do jornal Folha de S. Paulo que resumiu a essência da oficina.



2ª oficina: Texto para a Internet (parte 1) / dia 09 de novembro / 18h30 – 20h30

Teoria: Discussão sobre a prática profissional do jornalista na internet e o que essa nova tecnologia interferiu no modo como nos comunicamos. Depois, apresentamos as principais características do texto jornalístico na internet.
Iniciamos a oficina realizando uma dinâmica que propõe que, através de imagens, os participantes mostrem um pouco suas características. Espalhamos imagens recortadas de revistas e cada participante teve que escolher uma imagem e dizer por que se identificava com o que era mostrado ali. A dinâmica se mostrou um momento interessante para conhecermos mais os participantes do grupo.


A oficina de texto para a internet teve que ser dividida em duas noites, dada a impossibilidade de fazermos um momento teórico e outro prático em apenas duas horas. Desse modo, na primeira noite, dia 9, foi explicada a teoria sobre texto para a internet. Os facilitadores da oficina produziram um material impresso com as principais características do texto para a internet; um material bem didático e repleto de dicas acessíveis e que cumpriam o propósito das oficinas no Bairro Ellery: formar comunicadores populares. Essa parte teórica continha também os principais formatos do jornalismo factual: nota, notícia, reportagem e entrevista. Os participantes foram estimulados a ler em casa novamente essa parte teórica para que, na noite seguinte, pudéssemos realizar uma oficina eminentemente prática. Assim foi.

3ª oficina: Texto para a internet (parte 2) / dia 10 de novembro / 18h30 – 20h30

Nesse dia, conseguimos montar três computadores na sala de aula e dividimos os participantes em três grupos, para que eles produzissem. Como o primeiro dia da oficina foi completamente teórico, o segundo dia ficou exclusivo para a prática. A ideia era que os participantes adaptassem uma notícia do jornal impresso para a linguagem da internet, utilizando o conteúdo ministrado no dia anterior. E assim foi. Três notícias para a internet foram produzidas e corrigidas com a ajuda dos alunos da UFC.

Nesse dia, excepcionalmente, o momento de integração aconteceu no final da oficina. Por problemas técnicos, a música que seria utilizada para o discoforo só pode chegar na última meia hora. Foi apresentada a música Xanéu nº 5, do grupo O Teatro Mágico, que critica de forma irônica a presença da televisão na vida de todos nós.

4ª oficina: Produzindo matérias a partir da realidade local / dia 12 de novembro / 18h30 – 20h30

A dinâmica escolhida para essa oficina foi o sociodrama. Pediu-se que os participantes encenassem algum momento de conflito na comunidade. Dois grupos interpretaram passagens que realmente aconteceram no bairro na relação com a mídia. Foi sugestivo porque os grupos mostraram problemas recorrentes que serviram de base para o bloco prático da oficina.

No momento teórico, apresentamos vídeos do quadro Meu Bairro na TV, do programa CETV, da TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo em Fortaleza. Foi importante porque os participantes e moradores do bairro disseram que acham o quadro uma forma interessante da mídia cobrir o cotidiano do bairro, apesar de ainda não ser o formato ideal, segundo eles.

Para a prática, a proposta era que fosse feita uma reunião de pauta, com ideias para alimentar os sites dos bairros Ellery e Monte Castelo. O momento foi muito enriquecedor porque percebemos que o desejo das comunidades é mostrar não só os problemas, mas sim a história e o cotidiano dos moradores. Relacionamos diversas ideias e o objetivo é que os trabalhos sejam executados em algum formato para os sites.

5ª oficina: Podcast / dia 16 de Novembro / 18h30 – 20h30

Nesse dia, iniciamos o encontro com a dinâmica dos pontinhos. Um verdadeiro desafio no qual, com apenas quatro linhas, é preciso unir novo pontos. Muitos participantes pediram cópia do exercício para mostrar para os amigos e parentes.

A primeira parte da oficina foi teórica. A equipe fez uma explanação sobre o conceito de Podcast e seus usos, dando instruções sobre como utilizar o programa de edição de áudio Audacity.

No momento da prática, os participantes da oficina foram divididos em equipes e fizeram uma
adaptação de notas do jornal impresso para a linguagem do rádio e, depois, fizeram a locução e gravação desses textos adaptados. Foram gravadas duas versões para cada equipe, variando os locutores e, em seguida, foi feita a edição no Audacity.

Os participantes também receberam um tutorial sobre o Audacity e um texto sobre Podcast, o que facilitou a compreensão do tema e possibilitou um estudo posterior.

6ª oficina: Fotografia / dia 19 de novembro / 18h30 – 20h30

A oficina de fotografia, quando planejada inicialmente pela equipe, deveria acontecer em dois dias: no primeiro, seriam apresentadas noções de foto digital e, no segundo, discutiríamos foto reportagens. Porém, no dia 17 (quando aconteceria o primeiro encontro), houve um imprevisto que impossibilitou a ida da equipe ao colégio Martinz de Aguiar. Por isso, conversando com o diretor da Associação, decidimos fazer um único momento sobre fotografia, que foi realizado no dia 19.

Começamos a oficina com um momento que possibilitou o uso da criatividade dos participantes. A dinâmica foi a seguinte: divididos em equipes de três participantes, solicitou-se que uma pessoa desenhasse uma cabeça, sem que nenhum outro integrante visse o que foi feito. A folha foi então dobrada e outro participante tinha que desenhar um corpo e outro, no mesmo esquema, as pernas. No final, foi mostrado o resultado desse desenho coletivo. O objetivo dessa dinâmica é mostrar que cada pessoa vê o mundo dessa maneira, e que isso é muito importante quando o assunto é fotografia.

No bloco teórico da oficina, foram apresentados alguns elementos fundamentais da fotografia, como enquadramento, foco, ângulo, perspectiva. A apresentação de exemplos para cada elemento motivou os participantes a opinarem e questionarem. Uma das participantes, inclusive, aproveitou para mostrar algumas fotografias que fez em uma viagem para a África, o que fez com que a oficina fosse mais dialógica.

Para praticar, foram distribuídas revistas de vários assuntos e os participantes foram incentivados a buscar fotos que chamassem a atenção deles e explicassem-nas utilizando como base teórica o conteúdo recém aprendido. Muito interessante como todos logo incorporaram a linguagem da fotografia na apresentação.

Encerramos os seis dias de oficina com troca de e-mails entre os participantes e a promessa de que as pautas pensadas na oficina de produção de matérias a partir da realidade local serão executadas para o site! Fizemos também uma avaliação geral das oficinas; pedimos a opinião dos participantes. Concluímos que o todo o processo foi muito proveitoso para nós e para eles. Todos aprenderam bastante com a troca de experiências.


Para saber mais sobre os bairros Ellery e Monte Castelo, visite os sites criados e alimentados pelos moradores:
www.bairroellery.com.br
www.bairromontecastelo.com.br

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Finalização das oficinas em Madalena

Programação:

Sábado (14h – 18h)
14:00 (30 min) – Dinâmica de apresentação: Cada participante escreve em um papel o nome e o que faz na rádio. Depois os papéis são misturados e sorteados, como se fosse um amigo secreto, todos vão tirar um papel e, em seguida, apresentarão aquele companheiro cujo nome está no papel.
14:30 (10 min) – Apresentação dos objetivos da oficina
14:40 (1h) – Teoria: Produção radiofônica; Como viabilizar a execução de uma matéria radiofônica. Leitura do texto e discussão.
15:40 (20 min) – Intervalo para o lanche
16:00 (30 min) – Em duplas, a turma simulará equipes de produção de rádio que devem sugerir uma pauta, colocando para a turma como sua matéria seria realizada e quais recursos jornalísticos seriam utilizados.
16:30 (1h) – Depois das pautas serem discutidas com toda a turma, cada dupla escreverá sua matéria.
17:30 (30 min) – Teoria: o roteiro radiofônico. Explicar o roteiro, mostrando exemplos.

Domingo (08h - 12h)
8:00 (1h) – Ida a campo para executar as matérias planejadas
9:00 (40min) – Gravação e edição das matérias
9:40 (20min) – Intervalo
10:00 (30min) – Montagem do roteiro do programa piloto.
10:30 (40min) - Gravação e edição do programa piloto.
11:10 (20min) – Apresentação do programa piloto pronto para a turma.
11:30 (30min) – Avaliação do programa e das oficinas.

A continuação da oficina de rádio na comunidade do Quieto aconteceu nos dias 14 e 15 de novembro. O objetivo, dessa vez, era montar um programa piloto a partir do que foi aprendido nas outras oficinas. Apenas seis pessoas da rádio estavam presentes.
Sábado, 14 de novembro
Iniciamos a oficina com um certo atraso, por conta participantes. Na dinâmica de apresentação, cada um escreveu em um papel o nome e o que faz na rádio. Depois os papéis foram misturados e sorteados, como se fosse um amigo secreto. Em seguida, todos tiraram um papel e apresentaram aquele companheiro cujo nome estava escrito.
Feitas as apresentações, foram explanados os objetivos da oficina. Depois, a turma leu e discutiu um texto sobre produção de notícias e dicas para uma boa reportagem de rádio. Questões éticas também foram abordadas nesse momento.
Os participantes dividiram-se em três duplas para simular equipes de produção, que deveriam propor uma pauta, dizendo também de que forma aquela matéria seria executada. Cada dupla mostrou seu planejamento para o grupo e escreveu uma pequena notícia sobre o tema que propôs.
Domingo, 15 de novembro
Dadas as boas-vindas, os participantes dividiram-se nas mesmas duplas do dia anterior e saíram pela comunidade para por em prática a matéria que haviam planejado. Com as sonoras prontas, os textos de cada matéria foram escritos e gravados.
A turma ouviu o material que foi produzido e, depois, todos se mobilizaram para montar um roteiro para o programa, usando as matérias. Com o roteiro pronto, o programa foi gravado e editado. Depois, a turma ouviu o produto final e comentou o resultado.
Foi feita uma breve avaliação das oficinas onde a turma revelou ter gostado do que foi exposto durante os dois finais de semana em que aconteceram as atividades.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Oficina de Linguagem Radiofônica Assentamento do Quieto (Madalena)

Programação:

1º DIA – SÁBADO (Horário: 14 às 18h)

14:00 – Mística

14:15 – Dinâmica de Apresentação

14:45 – Apresentação do Texto: Voz

15:15 – Discussão do Texto

15:45 – Intervalo

16:00 – Dinâmica: Gincana de adivinhação de locuções famosas do rádio cearense

16:20 – Escutar novamente as locuções e tomar nota dos pontos positivos e negativos delas

17:00 – Avaliação: Dividir em grupos para fazer textos de pequenos quadros de um programa (se possível gravar também)

17:40 – Ouvir e avaliar os quadros

18:00 - Encerramento

2º DIA – DOMINGO (Horário: 8 às 12h)

8:00 – Mística

8:15 – Cada um falará do trabalho que realiza na rádio e como a percebem como produtores e ao mesmo tempo ouvintes, apontando as falhas e os pontos positivos.

8:45 – Apresentação do Texto: Vigil (Manual para radialistas apaixonados)

9:15 – Discussão do Texto

9:30 – Intervalo

9:40 – Dinâmica

9:50 – Exemplos de programas (rádio jornal; rádio debate)

11:00 – Roteiro no rádio: como fazer?

11:15: Exercício de produção de roteiros (notícia, reportagem, nota de serviço). Os participantes serão divididos em 2 grupos e cada um ficará com uma monitora.

11:45 – Discutir os roteiros e avaliar a oficina

12:00 – Encerramento.

Introdução

Nos dias 10 e 11 de outubro estivemos na cidade de Madalena, no Sertão Central cearense, para realizarmos a oficina de rádio, vinculada à disciplina de Jornalismo no 3º setor.

A oficina foi realizada com os moradores do assentamento do “Quieto”, onde fica também a rádio comunitária 25 de Maio. A rádio existe há dois anos e está sob administração dos moradores do assentamento.

Com uma programação diária, a rádio pode ser ouvida por cerca de 10 municípios da região, como Quixeramobim e Milhã. Dentre os locutores da rádio encontramos pessoas de todos as idades, desde o Sr. Pepino, com mais de 60 anos, até os jovens Paulo Henrique, Ana Nélia e Viviane, de 15.

A oficina se deu em dois dias. No primeiro, nos reunimos à tarde com os participantes na escola que fica no mesmo assentamento. Na oficina não participaram apenas as pessoas que trabalhavam na rádio, mas também outros moradores do assentamento, principalmente jovens.

Sábado, 10 de outubro de 2009

No primeiro momento, os próprios participantes se encarregaram de fazer a mística. Neste primeiro dia, uma das meninas leu para o grupo um texto motivador, para que aproveitassem bem a oficina.

Para nos conhecermos melhor, logo depois disso, realizamos uma dinâmica de grupo. Levamos algumas imagens de pessoas, situações, objetos e pedimos para que cada participante escolhesse a imagem que mais o agradava ou que não agradava de jeito nenhum. Depois de pegar as imagens, eles deviam se apresentar para o grupo e dizer o motivo da escolha das fotografias. O primeiro encontro contou com a participação de 12 pessoas.

Assim, começamos a conhecer os participantes da oficina. Algumas das apresentações foram significativas para termos uma maior idéia de como era a vida daquelas pessoas e qual era a importância do trabalho na rádio para elas. Além disso, ficamos conhecendo os mais tímidos, os mais comunicativos, os mais engraçados e os mais sérios.

Depois disso, demos início à apresentação de um texto sobre a voz (COTES, Cláudia; FEIJÓ, Débora & KYRILLOS, Leny. Voz e Corpo na TV. Editora Globo). Mais voltado para a televisão, o texto também nos pareceu importante para discutirmos a utilização da voz no rádio. Ele mostra como devemos trabalhar a nossa voz para nos comunicarmos melhor, apresentando estratégias que ajudam a manter uma boa voz, que contribua para a audiência do meio de comunicação em que trabalhamos. No texto são mostrados aspectos concernentes ao ritmo e articulação da voz, gestos e expressão facial, e como estes devem estar em concordância com o espírito da informação, contribuindo para a credibilidade das notícias.

Ao mesmo tempo em que apresentávamos o texto também íamos fazendo pausas para discutirmos as propostas das autoras. Os participantes explicaram como trabalhavam suas vozes na rádio, como era o estilo dos programas e quais as melhores formas de utilizar a voz para chamar mais atenção dos ouvintes.

Daí, fizemos um pequeno intervalo. Na volta, para descontrair um pouco, fizemos uma nova dinâmica. Desta vez, levamos para eles os áudios de alguns locutores famosos do Ceará. Os participantes teriam que adivinhar quem estava falando.

As vozes eram dos seguintes locutores: Paulo Oliveira, Carlos Augusto, Samantha Marques, João Inácio Júnior e Augusto Borges. De todos, somente a voz de João Inácio foi reconhecida.

Depois deste momento, colocamos novamente os áudios para ouvirem, mas agora deveriam prestar atenção nos formatos dos programas. Em seguida perguntamos a opinião dos participantes sobre esses programas e discutimos a proposta de cada um deles, explicando seus pontos positivos e negativos.

Os participantes também contribuíram fazendo comparações entre esses programas e os programas da rádio 25 de Maio, que além de programas focados na questão do Movimento Sem Terra, também veicula programas diversos, como de esportes, de músicas bregas e românticas e tem ainda um espaço para um programa infantil, aos domingos.

Para finalizar o primeiro dia de oficina, propomos aos participantes que fizessem uma reunião para discutir o que poderia ser incorporado aos programas da rádio. Assim, eles se dividiram em dois grupos. O primeiro ficou com os locutores dos programas informativos, como o esporte e o jornal sem-terra. O segundo agrupou os locutores dos programas de entretenimento, como o programa de música brega e o de música romântica.

No final, cada grupo apresentou as sugestões para seus programas e também para os programas dos colegas. As propostas foram discutidas por todos e nós também contribuímos com outras sugestões. A participação da colega Helena, que também estava realizando uma pesquisa no assentamento, também trouxe outras contribuições para os participantes da oficina.

O primeiro grupo, por exemplo, mostrou que poderia aprimorar o programa esportivo trazendo para a rádio pessoas para serem entrevistadas, como dirigentes de clubes da região e jogadores. Já o jornal Sem-Terra poderia receber pessoas para falar sobre o movimento e na semana dedicada a Che Guevara fazer um histórico da vida do guerrilheiro, contando cada um pouco da sua importância para a América Latina.

O segundo grupo, que ficou com o pessoal dos programas mais voltados para a música, sugeriu que os locutores falassem mais sobre as músicas, os cantores, compositores e também sorteasse pequenos brindes com os ouvintes, para aumentar a participação deles.

Domingo, 11 de outubro de 2009

A programação do domingo era trabalhar o “Manual para Radialistas Apaixonados” de José Lopes Vigil, um estudioso de rádio que viaja toda a América Latina fazendo consultorias para rádios populares.

Pontuando as orientações gerais de Vigil, trabalhamos aspectos técnicos da linguagem radiofônica, sempre abrindo espaço para que o grupo relatasse suas experiências à frente da rádio. A intenção era que avaliassem o próprio trabalho e pensassem em novas formas de fazê-lo. Por exemplo, o autor fala de uma linguagem dominante, aquela utilizada para excluir as massas e afastá-las da informação. Perguntamos ao grupo se eles percebiam que a linguagem que utilizavam era acessível a todos os ouvintes, a resposta, de pronto, foi afirmativa. Pegamos então o exemplo do “spot” da rádio: “Ocupando o latifúndio no ar” e questionamos os participantes da oficina se o ouvinte lá de Milhã, que nunca tinha visitado o assentamento e que não conhecesse o MST, entenderia o termo “latifúndio” com a mesma clareza dos assentados.

A sugestão não era que se mudasse o lema da rádio, mas que sempre que possível os radialistas esclarecessem as razões desse “slogan”. Que levassem para o microfone a sua vivência de combate aos latifúndios (da terra e do ar) devidamente explicada para os ouvintes.

Outra razão para discutir esse texto na oficina é a riqueza de experiências do autor transcritas para o papel. Há um relato de uma rádio na Bolívia que usa os sons da natureza para compor os programas dividindo os quadros ou acompanhando o radialista durante sua locução. Essa sugestão veio a calhar para o programa “Manhã do Campo” apresentado por seu Pepino. Depois de defender a idéia de que sons criam imagens para o público, deixamos que ele dissesse o que pensava da idéia. Qual foi nossa surpresa ao ouvir que certa vez levaram um carneiro para o estúdio e diante do microfone apertaram o animal para gravar o balido.

Após o intervalo, apresentamos formatos variados de programas da Rádio Universitária, como o “Jornal da Educação”, “Rádio Livre” e “Sem Fonteiras, Plural pela Paz”. Ouvimos a primeira vez atentando apenas para a locução, ritmo, entonação, aspectos que vimos no primeiro momento da oficina e no dia anterior. Percebemos que o grupo demonstrava grande interesse em ouvir programas diferentes dos que fazem. Depois do exercício de escuta, explicamos as características de alguns formatos radiofônicos como Radiorevista, Radiojornal, Documentário e Radionovela. Escutando novamente os trechos dos programas, pedimos que tentassem classificar cada um deles.

O propósito dessa atividade era que os adolescentes e Seu Pepino percebessem as possibilidades de inovar a rádio, incentivando a criatividade do grupo e, segundo o que foi relatado por eles na avaliação da oficina, trazendo novo ânimo para trabalhar na rádio.

A Rádio 25 de Março representa um elo entre as dezoito comunidades do assentamento e presta o serviço de informar os moradores das atividades do Movimento Sem Terra (MST). Além disso, tem um importante noticiário esportivo de público fidelizado. O jornal do movimento que chega mensalmente ao assentamento e as notícias de esporte de outras rádios são as principais fontes de informação para o grupo montar seus programas.

Percebendo a necessidade de orientação, ajudamos o grupo a escrever notícias seguindo os critérios jornalísticos. Dividimos dois grupos que fariam notícias sobre o assentamento. O grupo se saiu muito bem na elaboração dos textos, um sobre o resultado de jogos do Campeonato Brasileiro, outro anunciando a programação da semana dedicada ao guerrilheiro Che Guevara na qual todo o assentamento se mobiliza para homenageá-lo. A notícia sobre a inauguração da escola foi feita como se estivesse sendo anunciada em abril de 2008 quando o fato realmente aconteceu, trabalhando apuração de custo da obra, o tempo da construção, origem do dinheiro, e dando organizadamente informações sobre hora e local da inauguração.

Uma situação interessante foi quando Seu Pepino, que já havia nos dito que não sabia ler e escrever, fez também uma notícia a seu modo, sua forma de falar mas respondendo fielmente ao “Quem, o que, quando, onde, por que”.

Considerações Finais

Também no último dia de oficina pedimos que os participantes fizessem uma avaliação do nosso trabalho. Tímidos, cada um colocou no papel suas impressões. O Sr. Pepino falou pessoalmente. Podemos sintetizar as impressões dos participantes através das palavras de um deles:

“Ao longo deste trabalho, o processo da oficina foi bastante produtivo. Isso significou uma interação e troca de experiência, para os jovens que estão na fase inicial de programas de rádio. Este é mais um passo para os companheiros e companheiras do MST. Em nome do MST agradecemos a todas vocês que vieram contribuir com os jovens desta comunidade do Quieto”.

Por isso, mais do que formar comunicadores, ou mesmo trocar experiências, a oficina sobre linguagem radiofônica em Madalena serviu para fazer amigos.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Bairro Ellery inscreve participantes para oficinas ministradas pelo Parc


Formigas do Parc, matriculadas na disciplina Jornalismo no Terceiro Setor, ministram oficinas para curso que vai formar rede de comunicadores de bairros da região oeste de Fortaleza. As pré-inscrições vão até 1º de novembro. Mais informações e pré inscrições, consulte o site http://www.bairroellery.com.br/

No período de 7 a 20 de novembro, alunos da Universidade Federal do Ceará (UFC) e membros da equipe do sitio do bairro Ellery ministrarão oficinas de comunicação para integrantes de entidades populares e movimentos dos bairros Ellery, Monte Castelo, Álvaro Weyne e Presidente Kennedy.

O curso é uma iniciativa da equipe do sítio http://www.bairroellery.com.br/ em parceria com o Programa de Assessoria Técnica e Sócio-cultural às Rádios Comunitárias do Ceará (Parc – UFC), Associação Comunitária dos Bairros Ellery e Monte Castelo (ACEM) e Rádio Comunitária Mandacaru, com o apoio da Prefeitura de Fortaleza.

Veja a programação:
- 07/11 (sáb) > Oficina de leitura crítica da mídia > 8h - 12h
- 09/11 (seg) > Oficina de produção de texto para a Internet (parte 1) > 18h30 - 20h30
- 10/11 (ter) > Oficina de produção de texto para a Internet (parte 2) > 18h30 - 20h30
- 11/11 (qua) > Software livre / conhecendo o cms Xoops > 18h30 - 20h30*
- 12/11 (qui) > Como produzir matérias a partir da realidade local > 18h30 - 20h30
- 13/11 (sex) > Conhecendo o sitio http://www.bairroellery.com.br/ > 18h30 - 20h30*
- 16/11 (seg) > Desenvolvimento de podcast > 18h30 - 20h30
- 17/11 (ter) > Publicando conteúdo no sitio http://www.bairroellery.com.br/ > 18h30 - 20h30*
- 18/11 (qua) > Noções de fotografia digital > 18h30 - 20h30
- 19/11 (qui) > Fotoreportagem > 18h30 - 20h30
- 20/11 (sex) > Encerramento com debate sobre a criação da rede de comunicadores/as populares, entrega de certificado e confraternização dos participantes > 18h30 - 20h30*

* Oficinas facilitadas por membros da equipe do equipe do sitio bairroellery.

Com informações da coordenação do curso.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho é nova parceira do Parc



Formigas do Parc facilitam oficina de leitura crítica da mídia na EAO

Nessa quinta-feira, 25 de junho, o casarão que pertenceu ao engenheiro e antropólogo cearense Thomaz Pompeu Sobrinho foi alvo de olhares ávidos por algo além da arte da restauração, especialidade da casa. É que a Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho (EAO), sediada no prédio, acaba de tornar-se parceira do Parc. E as atividades já começam em pleno vapor. As formiguinhas do Parc, Emanuele Sales e Camila Queiroz, ministraram uma oficina de leitura crítica da mídia para 12 jovens moradores do bairro Jacarecanga e inscritos pela escola.
A oficina, que estava programada para começar às 8h, só teve início às 8h40. O motivo do atraso: uma chuva fininha que caía em Fortaleza, e que deixou os participantes com vontade de dormir até mais tarde. Além disso, boa parte dos jovens estava fazendo prova no Colégio Liceu, que fica perto da Escola. Mas nada houve que diminuísse o interesse pela oficina, afinal, pra começo de conversa, batemos um papo sobre o que é mídia. Confira o roteiro da atividade:

- Confecção de crachás
- Apresentação dos participantes e das monitoras Camila Queiroz e Emanuele Sales
- Conversa I: O que é Mídia?
E o Jornalismo nessa história toda?
Interesse público X Interesse do público
- Vídeo I: William Bonner fala sobre a morte de Roberto Marinho durante o Jornal Nacional
- Vídeo II: Record News é anunciada durante o Jornal da Record
- Debate sobre os vídeos
Conversa II: O que é Ética?
E ética no jornalismo?
- Vídeo III: Vídeo do programa Cidade 190, com Edson Silva e o repórter Águia Dourada.
- Debate sobre o vídeo
- Lanche
- Prática: confecção de cartazes. A turma, dividida em quatro grupos, confeccionou cartazes com o tema “A mídia que temos e a mídia que gostaríamos de ter”

A oficina terminou ao meio-dia. Ao final, cada equipe apresentou o cartaz e falou sobre suas impressões durante a oficina. As monitoras saíram com a sensação de missão cumprida e com a certeza de que a Escola de Artes e Ofícios já é uma forte parceira do Parc.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Oficinas na Associação Viva Vida

2009.1

Datas: 17 e 20 de maio / 3 e 16 de junho

Equipe: Natália Lima e Pedro Guimarães

Local: Associação Viva Vida

http://www.vivavida.org.br/abertura.asp


Apresentação

A Associação Viva Vida é uma organização não-governamental, beneficente, sem fins lucrativos, orientada por princípios éticos e humanitários, fundada em 13 de novembro de 2003, por iniciativa de um grupo de empresários, profissionais liberais e personalidades da sociedade civil cearense.

Seu objetivo é promover o bem-estar dos integrantes das comunidades carentes, resgatando a dignidade, a qualidade de vida e a auto-estima, e, contribuir para elevar o IDH – (Índice de Desenvolvimento Humano) do Estado do Ceará, inserindo-o entre os 10 mais altos do Brasil.

Proposta das Oficinas

Tivemos a idéia de administrar as oficinas em uma ONG que nunca havia recebido esse tipo de oficina. A oficina de leitura crítica da mídia foi feita para que os alunos tivessem consciência de como funciona a mídia e para que os ajudasse a entender melhor porque certas notícias estão sempre em pauta.

Nosso projeto na ONG foi um Jornal Mural, porque a ONG não possui recursos suficiente para manter um jornal impresso, e porque o Jornal Mural é fácil de fazer, de fácil acesso e seria algo que poderia ser continuado por eles mesmo depois de as oficinas terminarem.


O grupo de alunos com que trabalhamos tinha entre 14 e 17 anos e eram os piores alunos das escolas públicas da comunidade, porque, de acordo com a ONG, precisamos transformar a vida daqueles que estão com problemas, e não daqueles que já estão mais encaminhados.

Cronograma

17 de maio – domingo

1º Bloco – 8 – 12

8 :00 (40 min) – Apresentação de cada um e apresentação da proposta das oficinas.

8:40 (1 h) – O que é um jornal – apresentação de cadernos, colunas, entrevistas, etc, e diferenças entre cada parte do jornal.

9:40 (20 min) – Intervalo para o lanche

10:00 (1 h) – Dinâmica – Em grupos, procurar partes que lhes interessavam em um jornal e apresentar o porque para a sala.

11:00 (1 h) – Dinâmica – Jornal faz-de-conta – Eles escreveram a vida deles em forma de jornal. Os principais acontecimentos como matérias principais.

2º Bloco – 14 – 18

14:00 (30 min) – O que é editorial (explicações seguidas de exemplos e comentários)

14:30 (30 min) – O que é coluna de opinião

15:00 (30 min) – O que é matéria

15:30 (20 min) – Intervalo para o lanche

15:50 (30 min) – O que é entrevista

16:20 (40 min) – Dinâmica – Entrevistar colegas da turma, tentar descobrir coisas legais das vidas dos colegas através da entrevista

20 de maio - quarta-feira

14:00 (1 h) – Noções de telejornalismo (Apresentação do tema, diferenças entre ele e o jornal impresso, discussão com opiniões dos alunos)

15:00 (1 h) – Noções de radiojornalismo

16:00 (20 min) – Intervalo para o lanche

16:20 (1 h) – Dinâmica – Fazer um telejornal ou um radiofornal atuando, usando notícias tiradas do jornal impresso

17:20 (40 min) – Noções de jornalismo na internet seguida de noções de ética jornalista (qualquer um pode virar jornalista na internet, mas existe a ética)

3 de junho - quarta-feira

14:00 (1 h) – O que é um jornal mural, definição do papel de cada um no jornal, nome do jornal, partes que vão existir no jornal

15:00 (1 h) – Dinâmica – como fazer entrevistas (Alguns alunos fingiram ser repórteres e outros os entrevistados. Eles foram orientados a fazerem perguntas pertinentes ao assunto que lhes interessava. Orientamos a sempre irem atrás dos dois lados da história)

16:00 (20 min) – Intervalo para o lanche

16:20 (1 h) – Noções de diagramação em jornal e no nosso jornal, discussão com opiniões dos alunos

17:20 (40 min) – Tarefa – Todos fizeram uma primeira matéria usando o fato de eles estarem na ONG trabalhando em um jornal como assunto principal
16 de junho – terça-feira

14:00 (1 h) – Leitura e correção dos textos individualmente

15:00 (1h) – Leitura para toda a turma, opiniões sobre os textos

16:00 (20 min) – Intervalo para o lanche

16:20 (1 h) – Montagem do jornal mural (digitação e impressão dos textos em forma de colunas, colagem no jornal)

17:20 (40 min) – Impressões dos alunos – o que eles acharam das oficinas

terça-feira, 16 de junho de 2009

Livre pra comunicar

Trabalho de Campo - Oficinas
• Leitura Crítica da Mídia
• Rádio.
Data: 4, 5 e 6 de junho de 2009.
Local: Alojamento MST
Facilitadores: Amanda Sampaio, Monyse Ravena, Raquel Dantas e Samaísa dos Anjos.
Semestre: 2009.1


A proposta era instigante: oficinas de leitura crítica da mídia e de comunicação em geral para grupos da sociedade civil. Talvez a primeira idéia que venha a cabeça de todos nós seja trabalhar com adolescentes em escolas. Bem, essa é uma alternativa interessante, porém resolvemos ousar um pouco mais.
A escolha então foi trabalhar com o Setor de Comunicação, juventude e cultura do Movimento dos trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. A idéia primeira era de “descer” até um dos assentamentos que possuem Rádios Livres em seu território e trabalhar a partir do local de vivência e militância desses jovens camponeses, porém como quase tudo desse “lado do mundo” as coisas se inverteram. As oficinas agora seriam realizadas aqui mesmo em Fortaleza, no alojamento do Movimento com jovens de todas as regiões do estado.
E assim foi, nem tudo saiu como planejamos, mas conseguimos realizar 3 dias de oficinas diante de rostos atrevidos e curiosos. Ao total foram 12 horas de oficina entre exposição de idéias, debates, prática, risadas, músicas, mística.
A mística da luta do MST se fez presente o tempo todo, fosse na bandeira exposta na sala, nas palavras de ordem, nas músicas cantadas a cada vez que iríamos iniciar as atividades e isso contribuiu para que nós também entendêssemos para que essa comunicação servir dentro da dinâmica da luta social.
Não vamos dizer aqui que nos preparamos longamente para essas oficinas, pois isso não ocorreu, mas escolhemos temas que de alguma maneira já tínhamos alguma intimidade, já conhecíamos autores, referencias, atividades e aqui destacamos como principal aporte para as oficinas de rádio Dioclécio Luz, com seu bonito livro “Como fazer rádios comunitárias na intenção de mudar o mundo”. Ajudou também em nosso trabalho o áudio de alguns programas cedidos pela Rádio Universitária.
A escuta desses áudios ajudou a apurar o censo crítico dos jovens que participavam das oficinas quanto a suas próprias gravações. Vale ressaltar que uma das maiores dificuldades para a execução da oficina de rádio foi à falta de infra-estrutura técnica.
Gostaríamos de destacar também um momento que do curso que não estava inserido dentro da carga-horária da nossa oficina, mas do qual participamos: um animado debate sobre concessões e o papel das Rádios Livres no Brasil e no MST. Esse momento foi um dos mais animados do curso, pois as discussões se aproximaram muito da vivencia e da prática cotidiana desses militantes.
O programa completo do curso trazia ainda discussões sobre comunicação, cultura, indústria cultural, hegemonia e atividades culturais como a exibição de vídeos e não esquecendo que o curso se encerrou com os militantes do setor de comunicação, juventude e cultura se juntando a cerca de 700 famílias em um bonito ato em defesa do Pronera – Programa Nacional de Educação em Áreas de Reforma Agrária, que se realizou na sede do INCRA – Instituo Nacional de Colonização e Reforma Agrária.

1° Dia – Leitura Crítica da Mídia
Cronograma:
14h - Mística de abertura e dinâmica de apresentação (60 min)
Nesse primeiro momento, o grupo apresentou uma Mística de abertura do encontro e fizemos uma dinâmica de apresentação do grupo.
15h - O que é comunicação? (60 min)
No segundo momento, o grupo discutiu o que a comunicação representa para eles, como eles se comunicam, a questão da comunicação como um direito de todos e a realidade da comunicação em suas cidades, em suas casas.
16h – Intervalo (20 min)
16:20h – Criminalização (1h 40min)
Partimos do ponto do direito a comunicação para tratar de como os meios de comunicação são utilizados dentro do contexto social. O grupo debateu sobre a criminalização dos movimentos sociais, em especial o MST, trazendo exemplos do cotidiano de cada um a respeito do tema.

2° Dia – Rádio
Cronograma:
14h – Mística (30 min)
14:30h - Bloco Teórico (60 min): O rádio como meio de comunicação e a linguagem radiofônica.
O objetivo do bloco teórico era de discutir o rádio como um meio de comunicação diversificado e abrangente, além de passar noções sobre a linguagem usada para a construção de notícias para rádio, as peculiaridades que precisam ser respeitadas para que o rádio seja usado potencialmente, a maneira de falar, a proximidade do ouvinte.
15:30h – Bloco Prático (30 min): Notícias
O objetivo era colocar as noções passadas e discutidas em prática, por isso, os facilitadores indicaram ao grupo uma notícia do jornal do MST para ser adaptada para a linguagem radiofônica.
16h – Intervalo (20 min)
16:20h – Avaliação das notícias (40 min)
Os grupos leram suas notícias e a partir daí, o grupo discutiu as estruturas, as palavras utilizadas, a pontuação, a escolha das informações e os caminhos para melhorar e aproximar a linguagem da ideal para o rádio.
17h – Bloco Prático (30 min)
A partir da discussão sobre as notícias adaptadas do meio impresso para a linguagem radiofônica, o grupo foi convidado a construir outras notícias pensando os conceitos trabalhados e os problemas apontados na avaliação.

3° Dia – Rádio
Cronograma:
14h – Mística (30 min)
14:30h – Avaliação do bloco prático (30 min)
Cada participante leu sua notícia (a maioria tratando dos problemas nas cidades de cada um). O grupo discutiu novamente sobre a linguagem, o tamanho, a construção das frases, além de haver uma discussão sobre a realidade da comunidade de cada um.
15h – Gravação das notícias (30 min)
O objetivo da gravação das notícias era de trabalhar os conceitos de como se falar para rádio. Cada participante gravou sua notícia isoladamente, em seguida, o grupo se reuniu e ouviu o produto das gravações.
15:30 – Notícias Rádio Universitária (30 min)
Nesse momento, os facilitadores trouxeram trechos de programas da Rádio Universitária para que o grupo ouvisse, discutisse e avaliasse.
16h – Intervalo (20 min)
16:20h – Programação e Roteiro
Neste momento, os facilitadores realizaram uma explanação sobre a importância da programação em uma rádio comunitária e que tipo de enfoque a rádio deveria abordar em seus programas. Foram abordados também alguns gêneros de programas que poderiam ser produzidos na rádio. O conteúdo foi baseado no livro Rádios Comunitárias, na intenção de mudar o mundo de Dioclécio Luz.

17:00 - Avaliação dos 3 dias de oficina
O grupo destacou como pontos positivos a metodologia adotada durante os dois dias de oficina, a escolha do tema central – Rádio, os exercícios práticos propostos, as discussões sobre a função social do rádioe também sobre linguagem radiofônica. Destacaram como pontos negativos a falta de estrutura técnica (equipamentos) para a realização da oficina. O grupo também fez sua avaliação da oficina, destacando as dificuldades em se prepará-la, mas a satisfação em realizá-la.

domingo, 14 de junho de 2009

Oficina de Leitura Crítica da Mídia na Escola Presidente Roosevelt

Data: 29 de maio de 2009

Local: Escola Estadual Presidente Roosevelt

Número de alunos presentes: 20

Equipe: André Bloc, Arilo Assunção e Emerson da Silva



Expectativa: O grupo estava ansioso para o encontro com os alunos. A expectativa era deparar-se com um público alvo de faixa etária entre 14 e 17 anos. Por isso, o planejamento da oficina levou em conta a necessidade de um debate lúdico, bastante atrativo, com a utilização de vídeos e dinâmicas e que contasse com a participação ativa de todos os debates popostos.

Planejamento: Foi decidida uma abordagem centrada na dualidade Grande Mídia X Mídia Alternativa, de forma que os alunos pudessem analisar o Grande Meio e entender que podiam se inserir de formas diferentes. O plano era mostrar os efeitos das mídias e em como a opinião pública podia ser centrada em atos positivos ou tensionada para um lado apenas. A noção seria de que existem múltiplos meios e que a pessoa não deve apenas aceitar o que lhe é imposto.

Cronograma básico:

Início: 8h10min

Dinâmica de Apresentação – Uma apresentação básica com nomes, gostos pessoais (áreas de interesse) e conhecimentos das diferentes mídias (se lê jornal, ouve rádio, vê telejornal, se procura notícia na internet). Se seguiu desenrolou uma discussão, puxada por alunos, sobre o Orkut e o MSN como formadores de opinião e difusores de informação. – 20 minutos

Bloco Teórico I – Discussão sobre conceitos básicos de mídia. Noções sobre Gatekeeping e sobre a repercussão atingida por algumas matérias (caso Eloá). Discussão sobre a função do jornalista como mediador (modo de entrevista de Eli Aguiar, respeito entre entrevistador e entrevistado) – 40 minutos.

INTERVALO (Recreio) – 20 minutos. (Alguns alunos ficaram em sala conversando sobre os temas)

Bloco de Análise – Resgate da discussão do Bloco Teórico I e repercussão com os alunos. Exposição de opiniões divergentes e bons debates. – 20 minutos.

Bloco Expositivo – Análise de matérias. Noção da força da imprensa e da formação da opinião pública. Caso Isabela Nardoni (a espetacularização e a super-exposição) de um tema. Caso da Escola Base e suas repercussões. Matérias em vídeo e subseqüente debate – 40 minutos.

Bloco Teórico II – Espetacularização, Mídia Alternativa e Fatos que não aparecem na Mídia tradicional. O silêncio sobre certos temas e como o bairro deles aparece na mídia. Discussão sobre como deveria aparecer, o que deveria ser noticiado – 40 minutos

Bloco Prático Final – Mural. Produção com Recortes de Jornais e Revistas em 4 temas: A Mídia que eles querem, a Mídia que eles têm, como eles são retratados na mídia e como eles gostariam de ser retratados. Foram 4 grupos formados com níveis diversos de interesse. Um grupo fez um belo trabalho, muito cuidadoso, outros dois fizeram um trabalho moderadamente bem-feito, um tanto por obrigação e um outro grupo resolveu fazer uma brincadeira com os conceitos e gostos pessoais - 40 minutos.

Final da Oficina – 11h40min.

Impressões Finais: A oficina fluiu muito bem até a parte das discussões dos vídeos. A partir do bloco prático final alguns ficaram muito agitados e muitos foram beber água de uma vez. A atenção foi focada e desfocada constantemente. Alguns alunos se empenharam muito e produziram um bom mural e uma aluna (chamada Illana) inclusive ficou cerca de 20 minutos depois do final da aula ajeitando o trabalho e tirando dúvidas com os palestrantes.


Alunos de escola estadual participam de oficina do Parc

Alunos da Escola Estadual de Ensino Profissional Presidente Roosevelt, na Bezerra de Menezes, partiparam de uma oficina de leitura crítica da mídia promovida pelo Parc no último dia 29.

Dezessete alunos da turma de primeiro ano do ensino médio com profissionalização em edificações discutiram sobre a linguagem jornalística, o mito da imparcialidade, a responsabilidade social da mídia e a importância de uma leitura crítica dos meios.

A mediação foi feita pelas alunas do curso de Comunicação Social da UFC Camila Queiroz e Waldenia Marcia e teve assessoria da monitora do Parc Emanuele Sales.

Oficina de Leitura Crítica da Mídia


14:00 – Apresentação (20 min) – (a oficina começou com atraso porque a sala estava sendo usada para avaliação com alguns alunos, gastamos tempo ainda com a organização da sala e do equipamento)
Todos foram convidados a fazer um crachá e dizer porque tinham decidido participar da oficina.
Soubemos nesse momento que eles na verdade não tinham escolhido participar, a direção os tinha encaminhado. Esse detalhe se mostrou muito importante e prejudicial para o desenvolvimento da oficina
Em seguida, apresentamos um vídeo sobre a televisão produzido numa oficina de leitura da crítica pelo Tvez (UFC) e lançamos as perguntas: “O que vocês acharam do vídeo?” , “vocês concordam com os comentários sobre a TV?”, “na opinião de vocês, o que a TV tem de bom e ruim?”. As respostas e a discussão gerada através delas serviram de mote para o bloco teórico.

14:20 – Bloco Teórico (30 min) – O mito da imparcialidade (marcas de parcialidade nos textos jornalísticos – edição, escolha das fontes, lugar do emissor)
Nesse bloco, a partir dos comentários iniciados anteriormente, tratamos da questão da imparcialidade mostrando como o emissor (tanto a empresa jornalística quanto o sujeito, o reportér) determina o que vira pauta e o que não vira, falamos também sobre os critérios de noticiabilidade. (tentamos levar a discussão para o lado dos adolescentes).

14:50 – Lanche

15: 20 – Bloco de Discussão (30 min) – Além de tirar dúvidas, nesse bloco lançamos um questionamento: “diante do que discutimos, vocês acham que é necessária uma educação especifica para a mídia, assim como há aulas de interpretação de textos?”

15:50 – Bloco Prático (40 min) – escolhemos um assunto (o toque de recolher) noticiado em dois jornais diferentes (O Povo e Diário do Nordeste) pedimos para que eles identificassem nas notícias aspectos de (im)parcialidade como fontes ouvidas, o título, etc.

16:30 – Avaliação
Apresentação dos aspectos identificados por eles.

16:50 – Toque da sirene.

.....

*Bloco Teórico (40 min) – No segundo bloco teórico pretendíamos falar sobre o panorama da comunicação no Brasil (concentração dos meios, concessão pública e responsabilidade social) Bem como, abordar exemplos de falta de ética nos meios de comunicação. Para discussão, iríamos lembrar o caso da TV da Venezuela que não teve sua concessão renovada e mostraríamos parte do documentário “A revolução não será televisionada”.

*Bloco de Discussão (20 min) – Nesse momento, pediríamos para que fizessem uma reflexão sobre o papel da sociedade no processo de comunicação em especial dos jovens e adolescentes. Falaríamos a respeito da série de programas “direitos de resposta” como exemplo de intervenção da sociedade.

*Bloco Prático (30 min) – Produção de cartazes sobre como eles avaliam a mídia e como eles acham que ela deveria ser.

*Avaliação – apresentação dos cartazes.

Obs. Devido a problemas com atraso e falta de concentração da turma as atividades previstas para o primeiro tempo demoraram mais que o esperado. As atividades marcadas com * estavam previstas, mas não aconteceram.